Fabiana Lima

No ano de 2008 nós (marido e eu) voltamos de Caxias do Sul (RS) e fomos morar com a minha mãe.  Foi um período difícil para os dois, mas acho que especialmente pra mim, que não queria voltar e tinha muitos sonhos que não incluíam ficar desempregada e menos ainda deprimida. Tinha choros compulsivos e descontrolados, normalmente no chuveiro, que era quando estava sozinha. Tentava não parecer ridícula, então me fazia de linda perto de todos.

Foi um ano importante, quando aprofundei meu estudo e minha prática budista, e quando finalmente decidi que queria mesmo, oficialmente, deixar de ser católica e converter-me ao budismo. Conheci a Luci (amiga que eu amo tanto, e que é uma pessoa realmente iluminada!) e mais um monte de gente boa na comunidade budista.

Tive crises terríveis de depressão. Quem me conhece sabe o quanto eu tenho pavor de qualquer tipo de trabalho doméstico. Eu faço o que preciso para sobreviver mas, com exceção de cozinhar, as coisas são feitas quando necessárias. Tipo assim: lavo roupa porque as limpas estão acabando, lavo a louça porque acabaram os pratos, os talheres ou os copos, limpo a casa porque a sujeira está começando mesmo a me incomodar. Não pensem que eu sou porca, porque não sou. Apenas tenho uma preguiça (ou fobia) de fazer qualquer trabalho de casa. Não não, acho que é um verdadeiro PAVOR mesmo! Por isso faço quando me incomoda, mas assim que der pagarei para alguém deixar minha casa linda, limpinha, um brinco! O motivo para mencionar isso é para que percebam o quão grave era a minha depressão. No auge do sofrimento, tive mania de limpeza. Acordava todo dia às 8 horas e limpava a casa toda (que não era tão pequena). Primeiro limpava o quintal (onde os cachorros faziam suas necessidades), lavando. Depois organizava todas as coisas, preparando para varrer. Aí varria toda a casa, e depois passava pano em tudo. Uma vez por semana lavava o banheiro e a COZINHA. Era realmente sério. Eu lavava o chão da cozinha e também as paredes. E dava banho nos QUATRO cachorros: a Linda (minha) e as outras três da minha mãe, Pank, Nina e a Mila, a Pastora Branca.

Em meio a essa mania de limpeza (que andava preocupando minha mãe e meu marido) e às crises de choro e sono excessivo, comecei a pensar que eu andava lendo muito pouco, e que a leitura era importante para qualquer pessoa. Eu sempre gostei de ler, então por quê não aproveitar meu tempo “livre” para ler? Em casa tinha um monte de livros que eram do meu pai, que lia bastante. Resolvi começar a ler. Pedi livros de presente de natal pra todo mundo que eu conhecia.

No fim das contas, lancei um desafio pra mim mesma: ler pelo menos 1 livro por mês para o ano de 2009, o que felizmente cumpri com muito orgulho – e até superei! Você pode conferir a lista dos livros que ando lendo desde 2009 no menu superior do blog.

Para 2010, resolvi que ia ler 30 livros e estou muito atrasada. Estou correndo atrás do prejuízo.

A leitura me ajudou a manter a mente vazia e focada, e até a sorrir e a sonhar. Me deu força para levantar, para sair, para voltar a viver, para ver a luz no fim do túnel. Eu lia como uma criança descobrindo a novidade todo dia. Lia como quando a gente sonha mesmo achando que nunca vai realizar, pelo puro prazer de sonhar.

A leitura, de verdade, me salvou. E é por isso que eu continuo lendo. No momento acabei de ler A Menina que Roubava Livros e estou no meio de “Comer, rezar, amar”.

E você, o que anda lendo ultimamente?

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Hoje eu acordei mais cedo e, na falta do que fazer, resolvi dar uma volta pela rua. Acordei minha cachorrinha, e fomos passear. Andamos pelas ruas do bairro, e foi tão bom notar que a vida ainda é boa… não sei explicar direito, mas ver o sol nascer, sentir a brisa da manhã, ver a alegria da Linda no passeio… tudo isso me encheu de boas energias, sabe? Talvez tenha sido só o daimoku da Luci… de qualquer forma, é bom ter amigos!

E eis que, depois de 1 ano morando em Fortaleza, eu fui à praia. E foi em Cumbuco! Amor à primeira vista! E que vista…

O melhor de tudo é que é fácil de chegar, e relativamente perto de casa. Amei! Abaixo, algumas fotinhas do lugar maravilhoso…

E está chegando o dia de fazer 30 anos. Eu sei que é clichê, mas tenho que fazer o balanço. Acho que estou no lucro, feliz com vários aspectos da minha vida. Não posso dizer que sou aquilo que sonhava quando criança ou adolescente porque, geminiana que sou, mudava de idéia a cada semana (como ainda sou). Inconstante, segura, falante, política. Essa sou eu desde sempre. Criança levada, moleque. Descalça (sempre) e correndo pela rua. Sempre rodeada de amigos, tinha toda a atenção das crianças.

Já na adolescência continuava popular com os amigos. Já com os meninos… Eu era duas pessoas opostas: segura, popular e carismática com os amigos; insegura, tímida e retraída com os meninos. Sofri bastante na adolescência. Me sentia feia, gorda, diferente de tudo e todos. Tudo isso misturado a uma família conturbada, com pais brigando desde sempre e irmãos menores de quem eu me sentia mãe e pai.

Desde sempre fui muito responsável. Tive a chave de casa aos 9 anos, e nunca dei problemas grandes em casa. Na escola as reclamações dos professores eram sempre as mesmas: conversava muito, tumultuava, não adiantava mudar de lugar que eu fazia amizade com as pessoas que eles menos esperavam. No entanto, me achavam educada, simpática, inteligente e, tirando o fato de ser popular e com isso tumultuar a sala (já que tinha uma tendência a provocar a diversão), boa aluna.

No fim da adolescência a coisa mudou um tanto. Aprendi a gostar de mim (mesmo gorda que sempre fui) e fiz até um certo sucesso com os garotos.

Aos 19 anos conheci o Fer, amor da minha vida, e parece que desde ali já sabia que nos amaríamos.

Aos 24 casei, e foi tudo lindomaravilhoso; do jeito que sonhamos.

Aos 25 a Pank, nossa cachorra poodle (que morava com a minha mãe) deu cria e me deu a Linda, coisa mais linda da minha vida. Essa poodle branca danada de mandona e carinhosa é parte da minha felicidade.

Aos 26 perdi meu pai (e para quem não entendeu o post anterior, era dele que falava) enquanto o Brasil era um fiasco na última copa do mundo. O vi, finalmente, lutando contra o alcoolismo e também o vi internar-se numa clínica para dependentes. Foi no dia do níver do Fer, e naquele dia chorei muito e me lembro que quando o Fer perguntou porque eu chorava (já que eu queria tanto que ele se internasse) respondi que era porque algo me dizia que era a despedida dele. Quatro dias depois, vi meu pai sangrar sem parar sem um médico para atendê-lo porque o Brasil estava em campo na copa (13/06/2006). Em 18 dias vi meu pai morrendo pouco a pouco e ouvi dele vários lamentos do que deveria e não deveria ter feito na vida, sobre o que teria feito diferente se pudesse re-começar. Estive com ele no momento em que se foi. Fechei seus olhos, escolhi seu caixão e a roupa que vestiria para a despedida.

Ainda aos 26 vi minha irmã se casar com meu melhor amigo de adolescência e meu irmão, depois de estudar muito, entrar para a USP, engenharia química.

Aos 27, vivendo intenso luto pela partida do meu pai, resolvi fazer aquilo que ele não fez: arriscar. Mudei para Caxias do Sul, na serra gaúcha (onde minha irmã foi morar logo que casou), sem nem ao menos considerar se o marido queria ou não. Amei aquele lugar mais do que tudo na vida. Fui sem nada, só com minha vontade de me re-fazer. Consegui emprego, marido foi pra lá e não se adaptou. Sofri com a maior decepção que pude ter com alguém que considerava quase um irmão. Voltei para o interior de SP para não perder o marido que eu amo tanto.

Aos 28 morava com minha mãe e fiquei deprimidíssima porque estávamos, marido e eu, desempregados. No fim deste ano uma amiga com quem trabalhei aos 26 me arrumou um trabalho temporário, que permitiu que realizássemos um sonho antigo: ir para Arraial do Cabo e Cabo Frio, no RJ. O trabalho temporário virou permanente em janeiro de 2009. Comecei a faculdade de análise e desenvolvimento de sistemas à distância. Amei a faculdade e os amigos que fiz lá.

Aos 29, adorando o trabalho novo (que me deu novas perspectivas e me abriu as portas do mundo novamente), recebi uma proposta para mudar para Fortaleza, no CE. Fui promovida, marido contratado e viemos pra cá em agosto de 2009. Deixei a faculdade porque não consegui este mesmo curso em Fortaleza, à distância. Por causa do meu trabalho viajo bastante e isso me impede de fazer uma faculdade convencional.

Em janeiro de 2010 trouxe a Linda pra Fortal e em seguida comecei a faculdade de marketing à distância na Metodista.

Tanta coisa por fazer, tanta coisa por viver… no fim das contas, acho que a morte do meu pai me marcou tanto não só porque não vou vê-lo mais, mas também porque ele foi fundamental para mudar minha vida totalmente…

E que venham mais 30!

Esses dias de aniversário e copa do mundo e de 1º de julho sempre me deixam assim, meio amarga. E aí fico relembrando e remexendo a dor que não passa, os sonhos que não amenizam, as lembranças do que não aconteceu. E aí eu choro, tenho pesadelos e sonhos com ele. E tenho saudades e tenho lembranças de sempre.

A música abaixo, do Nando Reis (que eu tanto amo), traduz tudo.

Leve

Posted on: 19 de maio de 2010

Parece que quanto mais eu penso, menos eu gosto das coisas. Do calor, da comida, da cultura… e então eu resolvi parar de pensar. Comecei a sentir.

Leve. Acordei hoje com uma sensação de ter feito a coisa certa ontem. Me sentindo menos pesada, menos machucada por mim mesma. Acho que havia uma certa razão nas palavras “você não está se permitindo”, que eu ouvi outro dia.

Comecei uma dieta pela milésima vez. Vou cuidar um cadim de mim…

E então o carro para no meio da estrada. Enquanto espero, começo a observar os campos (no sertão?) pelos quais passo quase todo dia, e percebo que não são só espinhos e vegetação seca. Há um quê de delicadeza, sutilmente gracioso. Pequenas flores amarelas e lilases contrastam com a aparência seca de todo o resto. Tem borboletas amarelas também, e elas procuram uma sombra fresca.

A sutileza do sertão me comoveu. Acho que estou aprendendo a gostar disso tudo.


  • Nenhum
  • Micha: FAbi, hj q voltei aqui com calma, li seus posts antigos. e bom q me atualizei da sua vida, pq a ultima coisa q sabia é q tinha ido morar no Sul. Bom
  • Fabi: Então, Lulu, na verdade a Lelinha me disse esses dias sobre o Skoob, mas eu ando super preguiçosa pra ficar vendo e mantendo sites de relacionamento
  • Lulu on the sky: Amei a menina que roubava livros fui às lágrimas. Não li ainda Comer, Rezar e Amar mas eu quero ler. Terminei o Simbolo Perdido do Dan Brown e agor

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