Fabiana Lima

30 anos de romantismo

Posted on: 1 de junho de 2010

E está chegando o dia de fazer 30 anos. Eu sei que é clichê, mas tenho que fazer o balanço. Acho que estou no lucro, feliz com vários aspectos da minha vida. Não posso dizer que sou aquilo que sonhava quando criança ou adolescente porque, geminiana que sou, mudava de idéia a cada semana (como ainda sou). Inconstante, segura, falante, política. Essa sou eu desde sempre. Criança levada, moleque. Descalça (sempre) e correndo pela rua. Sempre rodeada de amigos, tinha toda a atenção das crianças.

Já na adolescência continuava popular com os amigos. Já com os meninos… Eu era duas pessoas opostas: segura, popular e carismática com os amigos; insegura, tímida e retraída com os meninos. Sofri bastante na adolescência. Me sentia feia, gorda, diferente de tudo e todos. Tudo isso misturado a uma família conturbada, com pais brigando desde sempre e irmãos menores de quem eu me sentia mãe e pai.

Desde sempre fui muito responsável. Tive a chave de casa aos 9 anos, e nunca dei problemas grandes em casa. Na escola as reclamações dos professores eram sempre as mesmas: conversava muito, tumultuava, não adiantava mudar de lugar que eu fazia amizade com as pessoas que eles menos esperavam. No entanto, me achavam educada, simpática, inteligente e, tirando o fato de ser popular e com isso tumultuar a sala (já que tinha uma tendência a provocar a diversão), boa aluna.

No fim da adolescência a coisa mudou um tanto. Aprendi a gostar de mim (mesmo gorda que sempre fui) e fiz até um certo sucesso com os garotos.

Aos 19 anos conheci o Fer, amor da minha vida, e parece que desde ali já sabia que nos amaríamos.

Aos 24 casei, e foi tudo lindomaravilhoso; do jeito que sonhamos.

Aos 25 a Pank, nossa cachorra poodle (que morava com a minha mãe) deu cria e me deu a Linda, coisa mais linda da minha vida. Essa poodle branca danada de mandona e carinhosa é parte da minha felicidade.

Aos 26 perdi meu pai (e para quem não entendeu o post anterior, era dele que falava) enquanto o Brasil era um fiasco na última copa do mundo. O vi, finalmente, lutando contra o alcoolismo e também o vi internar-se numa clínica para dependentes. Foi no dia do níver do Fer, e naquele dia chorei muito e me lembro que quando o Fer perguntou porque eu chorava (já que eu queria tanto que ele se internasse) respondi que era porque algo me dizia que era a despedida dele. Quatro dias depois, vi meu pai sangrar sem parar sem um médico para atendê-lo porque o Brasil estava em campo na copa (13/06/2006). Em 18 dias vi meu pai morrendo pouco a pouco e ouvi dele vários lamentos do que deveria e não deveria ter feito na vida, sobre o que teria feito diferente se pudesse re-começar. Estive com ele no momento em que se foi. Fechei seus olhos, escolhi seu caixão e a roupa que vestiria para a despedida.

Ainda aos 26 vi minha irmã se casar com meu melhor amigo de adolescência e meu irmão, depois de estudar muito, entrar para a USP, engenharia química.

Aos 27, vivendo intenso luto pela partida do meu pai, resolvi fazer aquilo que ele não fez: arriscar. Mudei para Caxias do Sul, na serra gaúcha (onde minha irmã foi morar logo que casou), sem nem ao menos considerar se o marido queria ou não. Amei aquele lugar mais do que tudo na vida. Fui sem nada, só com minha vontade de me re-fazer. Consegui emprego, marido foi pra lá e não se adaptou. Sofri com a maior decepção que pude ter com alguém que considerava quase um irmão. Voltei para o interior de SP para não perder o marido que eu amo tanto.

Aos 28 morava com minha mãe e fiquei deprimidíssima porque estávamos, marido e eu, desempregados. No fim deste ano uma amiga com quem trabalhei aos 26 me arrumou um trabalho temporário, que permitiu que realizássemos um sonho antigo: ir para Arraial do Cabo e Cabo Frio, no RJ. O trabalho temporário virou permanente em janeiro de 2009. Comecei a faculdade de análise e desenvolvimento de sistemas à distância. Amei a faculdade e os amigos que fiz lá.

Aos 29, adorando o trabalho novo (que me deu novas perspectivas e me abriu as portas do mundo novamente), recebi uma proposta para mudar para Fortaleza, no CE. Fui promovida, marido contratado e viemos pra cá em agosto de 2009. Deixei a faculdade porque não consegui este mesmo curso em Fortaleza, à distância. Por causa do meu trabalho viajo bastante e isso me impede de fazer uma faculdade convencional.

Em janeiro de 2010 trouxe a Linda pra Fortal e em seguida comecei a faculdade de marketing à distância na Metodista.

Tanta coisa por fazer, tanta coisa por viver… no fim das contas, acho que a morte do meu pai me marcou tanto não só porque não vou vê-lo mais, mas também porque ele foi fundamental para mudar minha vida totalmente…

E que venham mais 30!

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1 Response to "30 anos de romantismo"

Tb perdi meu pai, mais ou menos na época q o seu e vejo como as coisas mudaram, a gente cresce, evolui, fica mais forte, mais determinada, vai à luta.
Vc vai ver que com a chegada de 30 anos tudo muda.
Big Beijos

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  • Micha: FAbi, hj q voltei aqui com calma, li seus posts antigos. e bom q me atualizei da sua vida, pq a ultima coisa q sabia é q tinha ido morar no Sul. Bom
  • Fabi: Então, Lulu, na verdade a Lelinha me disse esses dias sobre o Skoob, mas eu ando super preguiçosa pra ficar vendo e mantendo sites de relacionamento
  • Lulu on the sky: Amei a menina que roubava livros fui às lágrimas. Não li ainda Comer, Rezar e Amar mas eu quero ler. Terminei o Simbolo Perdido do Dan Brown e agor

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